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Pesquisa apresentada no encontro anual da Associação Americana do Coração mostra que droga vendida como opção às estatinas é capaz de derrubar os níveis de LDL e prevenir infartos e problemas cardiovasculares

Um medicamento alternativo, que combina um tipo de estatina a uma substância chamada ezetimiba, é capaz de reduzir o colesterol a níveis muito baixos e prevenir infartos e doenças cardiovasculares. Os resultados de um estudo apresentado no encontro anual da Associação Americana do Coração, na última segunda-feira, podem ajudar aqueles que não toleram altas doses de estatinas ou não respondem a elas.

O estudo randomizado, conduzido pela Universidade Duke, nos Estados Unidos, acompanhou por seis anos 18 000 pessoas que sofreram infartos ou episódios de dor no peito. Os pesquisadores deram a eles tratamento à base de um tipo de estatina chamado sinvastatina – medicamento normalmente usado para tratar altas taxas de colesterol – ou a droga Vytorin, combinação da sinvastatina com ezetimiba, vendida há quase dez anos como droga alternativa para o controle do colesterol. O objetivo era reduzir os níveis de LDL, molécula que deposita o colesterol nas paredes das artérias e pode entupir os vasos – o chamado “colesterol ruim”. Os dois grupos reduziram as taxas de LDL, no entanto, aqueles que tomaram o remédio alternativo exibiram taxas de LDL de 54, enquanto aqueles que tomaram apenas a sinvastatina apresentaram níveis de 69 de LDL.

Além disso, quem tomou a combinação entre as duas drogas teve menos problemas cardiovasculares – uma redução de 6,4%. De acordo com os pesquisadores, isso significa que o medicamento preveniu infarto ou dor no peito de duas a cada 100 pessoas. As estatinas diminuem o LDL porque barram sua fabricação. Já a ezetimiba impede que o LDL seja absorvido pelo intestino e siga para os tecidos do organismo.

Poucos efeitos colaterais — Os pesquisadores comprovaram que os baixos níveis de LDL, promovidos pela droga alternativa, não são tóxicos e não causam efeitos colaterais além dos já conhecidos pelo uso de estatinas: a combinação não mostrou taxas superiores de câncer, dores de cabeça ou musculares.

A ezetimiba é conhecida por sua habilidade em diminuir os níveis de LDL. No entanto, um estudo menor, publicado em 2006, mostrou que a substância não era eficaz no combate a um tipo de arteriosclerose e seu uso foi abandonado em favor das estatinas. Desde então, os médicos preferem as estatinas por acreditar que elas atuam em mais frentes que apenas a redução do LDL.

Entretanto, a nova pesquisa, que analisou o efeito da ezetimiba em doenças cardiovasculares e infarto, mostrou que a redução do LDL promovida pela ezetimiba é um elemento-chave para prevenir problemas do coração. De acordo com os cientistas, esse estudo é mais um a mostrar que o controle do chamado “colesterol ruim”, e não a prevenção de inflamações ou de outros fatores, é o que impede as doenças.

Os resultados da pesquisa com o medicamento, que terminaram de ser compilados no início de novembro, ainda não foram publicados em periódicos científicos. O laboratório Merck, responsável pela produção do Vytorin, pretende lançar um genérico da droga em 2016.

FONTE: VEJA

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